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Região registra 250 crianças sem o nome do pai na certidão em 2025

Um levantamento realizado pela Gazeta de Limeira, com base em dados do Portal da Transparência do Registro Civil, revela que centenas de crianças nascidas na região em 2025 não tiveram o nome do pai incluído em suas certidões de nascimento. O cenário evidencia uma realidade que, embora não seja exclusiva dos municípios locais, chama atenção pelo crescimento registrado em algumas cidades.

Em Limeira, a maior cidade entre os cinco municípios analisados, dos 3.300 bebês registrados no ano passado, 183 (6%) não tiveram o pai incluído na certidão. O número representa aumento em relação a 2024, quando 165 crianças foram registradas apenas com o nome da mãe. Desde 2020, a cidade mantém uma média de 180 registros anuais sem paternidade, após uma breve queda registrada em 2021, durante a pandemia de Covid-19.

Iracemápolis apresenta o menor índice da região: apenas 2% das crianças nasceram sem o registro do pai. Dos 171 nascimentos em 2025, três não tiveram paternidade reconhecida. Por outro lado, Artur Nogueira lidera a região com o maior índice de pais ausentes, com 9% das crianças afetadas. Dos 415 nascimentos no município, 38 não tiveram o pai incluído na certidão, um aumento significativo em relação a 2024, quando o índice era de 5%.

Engenheiro Coelho também registrou crescimento expressivo: em 2024, três crianças nasceram sem paternidade registrada, número que subiu para 14 em 2025. Cordeirópolis apresentou aumento de seis para 12 crianças, o equivalente a 7% dos nascimentos. Somados, os dados de toda a região mostram que 250 crianças nasceram sem o registro do pai em 2025.

O fenômeno não é exclusivo da região. Em São Paulo, o estado mais populoso do país, 6,8% das crianças nasceram sem o nome do pai em 2025, de acordo com dados do Portal da Transparência do Registro Civil. No Brasil, o percentual foi semelhante: 172 mil bebês, de um total de 2,4 milhões de nascimentos, foram registrados sem paternidade, representando 6,9% do total — o mesmo índice de 2024 e o segundo maior dos últimos dez anos.

Diante desse cenário, tribunais estaduais e defensorias públicas têm promovido mutirões e campanhas de conscientização para reduzir os casos de registro sem paternidade. Entre as iniciativas está o programa “Pai Presente”, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que facilita o reconhecimento da paternidade por meio de procedimentos administrativos simplificados. Já a Defensoria Pública do Estado de São Paulo destaca que o reconhecimento da paternidade assegura direitos essenciais às crianças, como acesso à herança, benefícios previdenciários.

Os números refletem a ausência paterna, cuja consequência recai majoritariamente sobre as mulheres. Sem o reconhecimento do pai no registro civil, as mães passam a concentrar, desde o nascimento, todas as responsabilidades legais e de cuidado dos filhos. Nesse cenário, as mães solo exercem papel essencial ao garantir sustento, proteção e vínculo familiar às crianças, muitas vezes sem apoio. A realidade reforça a importância de políticas públicas voltadas tanto à responsabilização paterna quanto ao reconhecimento do papel social dessas mulheres.

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