
Moraes pede que PGR analise pedido de prisão de Bolsonaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) Alexandre de Moraes pediu para que o procurador-geral da República, Paulo
Gonet, analisasse um pedido de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por
suposta obstrução de justiça. Moraes deu um prazo de cinco dias para uma
manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não foi atendido.
O pedido de análise da PGR por parte do ministro do STF é uma praxe da Corte.
Nesta situação, antes de decidir, Moraes solicita um parecer do Ministério
Público para sustentar um arquivamento da petição ou providenciar uma eventual
prisão.
Os autores do pedido de prisão enviado ao STF são a vereadora do Recife Liana
Cristina (PT) e Victor Fialho Pedrosa, servidor do gabinete dela. Os dois
argumentam que Bolsonaro cometeu os crimes de obstrução de justiça, organização
criminosa e incitação ao crime ao convocar apoiadores para a manifestação
realizada na Praia de Copacabana no último dia 16.
Segundo Liana e Victor, Bolsonaro cometeu "tentativa inconteste de delito
de obstrução da justiça e incitação a novos atos que comprometam a ordem
pública" e não mostra "arrependimento" ao chamar os condenados
pela depredação dos Três Poderes de "reféns do 8 de Janeiro".
"A continuidade de suas ações por meio da convocação de novas
manifestações em prol da anistia dos envolvidos demonstra não apenas ausência
de arrependimento, mas a intenção de manter a agenda golpista ativa, em notória
continuidade delitiva", diz o pedido de prisão preventiva.
Além da prisão, os dois também pedem que o ex-presidente seja imposto a medidas
cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e comparecimento periódico em
juízo.
O pedido de Moraes foi encaminhado para a PGR no dia 18, logo, o prazo de uma
devolutiva de Gonet foi encerrado no dia 23. Até esta quarta-feira, 2, não foi
enviado um parecer por parte do procurador-geral.
Na última quarta, 26, a Primeira Turma do STF tornou réus, por unanimidade,
Bolsonaro e aliados dele por tentativa de golpe de Estado. Quatro ministros
acompanharam o voto do relator Alexandre de Moraes pelo recebimento da denúncia
da PGR, que aponta Bolsonaro como líder da trama de ruptura democrática.
Com a decisão, o ex-presidente e os demais denunciados se tornam réus em um
processo penal por cinco crimes - organização criminosa armada, golpe de
estado, tentativa de abolição violenta do estado democrático, deterioração de
patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União. As penas em
caso de condenação podem chegar a 43 anos de prisão.
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