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Pastor Elias de Madureira celebra quase 30 anos na Assembleia de Deus em Limeira

A história da Assembleia de Deus Ministério Madureira em Limeira acompanha a trajetória de seu pastor-presidente, Elias Bonfim do Amaral. Enviado para a cidade em novembro de 1998, ele assumiu uma igreja com cerca de 700 membros, uma sede para aproximadamente 300 pessoas e 16 congregações. Quase três décadas depois, o campo reúne 25 congregações em Limeira, igrejas em outros municípios e estados e tem como principal marco a construção da Catedral da Paz. Em entrevista à Gazeta de Limeira, o pastor relembrou a infância humilde, o chamado para o ministério, os desafios da liderança e a convicção de que a fé sempre esteve acima das limitações humanas.

Nascido em 1953, no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, Elias Bonfim é o primogênito de 11 irmãos, filhos de Manoel do Amaral e Isabel do Bonfim Amaral. Segundo o pastor, a vocação para o ministério nasceu ainda na infância, dentro de casa, inspirada pela mãe, uma mulher simples, analfabeta e conhecida pela vida de oração. Os primeiros passos na igreja ocorreram ao lado de amigos da juventude e no conjunto de louvor Estrela da Manhã. Depois, exerceu diferentes funções até ser consagrado ao diaconato, ao presbitério pelo pastor Manoel Ferreira, em Campinas, e, posteriormente, ao pastorado.

A transferência para Limeira ocorreu por decisão das lideranças nacionais da Assembleia de Deus Ministério Madureira, entre elas o bispo Manoel Ferreira e o bispo Samuel Ferreira. O pastor afirma que recebeu a missão como um direcionamento de Deus, após 16 anos de ministério em Campinas. “Recebi essa missão como um direcionamento de Deus”, destacou.

Quando chegou ao município, encontrou uma igreja com estrutura modesta. Além da sede e das 16 congregações, havia um terreno onde funcionava um antigo barracão de madeira, espaço que anos depois daria lugar à Catedral da Paz.

Apesar da boa recepção, Elias Bonfim recorda que enfrentou resistência nos primeiros meses. Alguns obreiros acreditavam que seu jeito sorridente demonstrava falta de seriedade. Com o passar do tempo, segundo o pastor, o trabalho desenvolvido e os resultados alcançados mudaram essa percepção.

As dificuldades também apareceram na área financeira. Um homem ofereceu serviços de reforma para algumas congregações, recebeu os recursos destinados às obras e desapareceu sem concluir os trabalhos nem quitar os compromissos assumidos. A situação obrigou a igreja a reconstruir os templos, reorganizar as finanças e assumir pagamentos que, conforme relata o pastor, não eram de sua responsabilidade.

Mesmo diante dos desafios, pastor Elias de Madureira afirma que nunca perdeu a convicção de que Deus conduzia a obra. Ele relembra uma infância marcada pela pobreza, perdas familiares, dificuldades financeiras e até furtos de veículos utilizados no ministério, mas diz que permaneceu firme por acreditar nas promessas de Deus e na missão que recebeu. “Nunca perdi a convicção de que Deus conduzia a obra”, afirmou.

Ao longo dos anos, a Assembleia de Deus Ministério Madureira ampliou sua presença em Limeira. Atualmente, o campo reúne 25 congregações na cidade, além de igrejas em Engenheiro Coelho, Socorro, Curitiba, Araucária e Rio do Sul, somando mais de 50 igrejas entre congregações, sub-congregações e campos missionários.

O maior desafio dessa caminhada foi a construção da Catedral da Paz. A obra começou em 2004, quando a igreja enfrentava dificuldades financeiras e acumulava dívidas. Segundo o pastor, durante diversas reuniões os obreiros questionavam se havia recursos para iniciar a construção. A resposta era sempre a mesma: não havia dinheiro em caixa. Mesmo assim, afirma que sentiu a direção de Deus para seguir em frente. Convocou os membros para um mutirão e determinou a demolição do antigo barracão de madeira. A construção foi concluída dez anos depois. “Não havia dinheiro em caixa, mas senti que Deus mandava começar”, recordou.

Ao recordar esse período, o pastor destaca que testemunhou o envolvimento de centenas de membros da igreja, muitos de origem humilde, que dedicaram tempo e trabalho voluntário à obra. Para ele, esse esforço coletivo resultou em inúmeras histórias de superação e transformação de vidas.

Outro episódio marcante ocorreu na fase final da construção. A igreja precisava adquirir as cadeiras para a inauguração, mas não possuía o valor exigido como entrada. O pastor conta que entregou seu único veículo, uma Pajero, ao fornecedor. Para ele, aquele gesto simbolizou confiança em Deus e representou mais um passo de uma caminhada construída pela fé. “Entreguei minha Pajero porque confiava que Deus completaria a obra”, disse.

A Catedral da Paz foi inaugurada em 1º de novembro de 2014. Elias Bonfim considera aquele o momento mais emocionante de seu ministério. Ele relembra a entrada no templo ao som do hino Tu És Fiel, acompanhado pelas principais lideranças da denominação e por milhares de fiéis, após dez anos de construção. “Foi o momento mais emocionante do meu ministério”, resumiu.

Além das atividades religiosas, o pastor destaca o trabalho desenvolvido pela igreja no acolhimento de famílias, jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo ele, a missão começa pela oração, pelo acompanhamento individual e pelo fortalecimento dos vínculos familiares, com apoio espiritual e incentivo à reconstrução de vidas. Também cita a atuação da USAME, fundada em 2017, que presta assistência mensal a cerca de 80 famílias. “Nossa missão começa pela oração, pelo cuidado e pelo fortalecimento das famílias”, afirmou.

Na avaliação de Elias, a igreja evangélica conquistou maior presença na sociedade nas últimas décadas, mas enfrenta o desafio de preservar os princípios da fé cristã. Para ele, o trabalho com crianças, adolescentes e jovens é uma das principais formas de prevenir o envolvimento com drogas, violência e outros problemas sociais, ao oferecer acolhimento, participação e propósito de vida.

Ao refletir sobre sua trajetória, o pastor afirma que a maior lição aprendida é que a obra de Deus não depende da força ou da capacidade humana, mas da disposição para servir. “A obra de Deus não depende da força ou da capacidade humana, mas da disposição para servir”, enfatizou. Entre as pessoas que mais marcaram sua caminhada, destaca a mãe, Isabel do Bonfim Amaral, cuja vida de oração influenciou seu ministério, e a esposa, pastora Teca, já falecida, lembrada pelo apoio durante todas as etapas da liderança da igreja.

Outro capítulo que considera especial foi a conclusão do curso de Direito na Universidade Paulista, iniciada aos 48 anos. O pastor relembra que, aos seis anos de idade, recebeu um diagnóstico médico que apontava possíveis deformações no rosto em razão de uma cirurgia no ouvido e dificuldades de aprendizagem. A formação universitária, segundo ele, representou mais uma demonstração de que as previsões humanas não prevaleceram sobre os propósitos de Deus. “As previsões humanas não prevaleceram sobre os propósitos de Deus”, afirmou.

Ao resumir sua missão em Limeira, Elias afirma que seu propósito sempre foi “cuidar, abraçar e gerar frutos, sendo um agente de esperança por meio da fé em Jesus”. Para o futuro, espera que a Assembleia de Deus Ministério Madureira continue como referência de fé, acolhimento e evangelização em Limeira e na região.

Na mensagem final aos moradores, o pastor agradece à cidade que o acolheu há quase três décadas e deixa uma reflexão: “Não importa de onde você saiu ou o tamanho dos desafios que enfrenta. Quando Deus ocupa o primeiro lugar na vida, Ele realiza o extraordinário. Tenha fé, permaneça firme e nunca desista dos seus sonhos.”

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A origem do nome Ministério Madureira

O nome Ministério Madureira tem origem no bairro de Madureira, no Rio de Janeiro, onde a denominação teve início. A história começou na década de 1920, quando o pastor Paulo Leivas Macalão iniciou um trabalho evangelístico na região, ligado à Assembleia de Deus. Com o crescimento da igreja, a congregação passou a ser conhecida como Assembleia de Deus de Madureira e, ao longo dos anos, tornou-se um dos principais ramos da denominação no Brasil. O Ministério Madureira expandiu sua atuação para diversos estados e países, mantendo como marcas a evangelização, a formação de líderes e a abertura de novas congregações.


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