Conflito no Oriente Médio pode pressionar preço do petróleo e impactar o Brasil
A instabilidade geopolítica no Oriente Médio voltou a colocar o mercado de energia em alerta e reacendeu as preocupações sobre o impacto de eventuais conflitos no preço do petróleo. As tensões envolvendo o Irã e a possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz, a rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do petróleo consumido no mundo aumentam a incerteza global e já começam a pressionar as cotações da commodity.
Quando o risco se concentra em uma região tão central para o abastecimento energético mundial, investidores e governos acompanham cada movimento com atenção redobrada. Oscilações no preço do barril podem rapidamente se espalhar por diversas economias, influenciando desde o valor dos combustíveis até a inflação e o comportamento do dólar em países emergentes, como o Brasil.
Para entender o papel do Irã nesse tabuleiro energético
global e quais podem ser os reflexos de uma escalada de tensões no bolso dos
brasileiros, A Gazeta de Limeira conversou com o economista Leandro Zanetti,
graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP) e assessor
de investimentos. Na entrevista, ele analisa o peso estratégico do país no
mercado de petróleo, os possíveis cenários para o preço do Brent e os efeitos
que um conflito na região pode trazer para a economia brasileira.
1 – Qual é o papel do Irã no equilíbrio energético global e por que qualquer tensão envolvendo o país mexe tanto com o petróleo?
O Irã representa cerca de 4% a 5% das exportações globais de petróleo. Não é o maior produtor do mundo, mas tem um peso estratégico muito grande. O país está localizado ao lado do Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, por onde passam aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no mundo e algo próximo de 20% do comércio global de gás natural liquefeito.
Ou seja, qualquer tensão na região não afeta apenas o petróleo iraniano, mas pode comprometer uma parte relevante da oferta global. É isso que faz o mercado reagir com tanta sensibilidade.
2 – De que forma essa tensão já está impactando o preço do Brent?
O anúncio de fechamento do Estreito de Ormuz e a ameaça de ataques a embarcações elevam muito o nível de incerteza. Mesmo que ainda não exista uma interrupção total e comprovada do fluxo de petróleo, o mercado passa a precificar esse risco.
O petróleo é uma commodity muito sensível a questões geopolíticas. Quando há risco de redução da oferta global, o preço do Brent sobe rapidamente, porque os investidores incorporam esse cenário mais estressado às cotações.
3 – Quais seriam os cenários possíveis para o petróleo caso o conflito se intensifique? Até onde o preço poderia ir em um cenário extremo?
Se houver uma escalada do conflito, com interrupção prolongada dos carregamentos na região e eventual envolvimento de outros países produtores, o impacto pode ser mais forte.
Nesse cenário, o barril do Brent pode superar os US$ 100 com relativa facilidade. Em uma situação mais extrema, com bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz e dificuldade de compensação por outros produtores, os preços poderiam subir ainda mais, dependendo da duração do conflito e do nível dos estoques globais.
4 – Como um conflito no Oriente Médio se traduz, na prática, para a economia brasileira? Gasolina, diesel, inflação e dólar.
Com o aumento do preço internacional do petróleo, a tendência é que gasolina e diesel fiquem mais caros em algum momento, ainda que o repasse não seja imediato e dependa da política de preços da Petrobras e da variação do câmbio.
Além disso, um cenário de maior risco global costuma pressionar o dólar para cima frente a moedas emergentes, como o real. Petróleo mais caro e dólar mais alto aumentam a pressão sobre a inflação, tanto pelos combustíveis quanto pelo encarecimento de produtos importados.
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