Câmara derruba veto de Lula a projeto que reduz pena de Bolsonaro
A Câmara dos Deputados votou, nesta quinta-feira, 30,
para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que
reduz as penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos envolvidos nos
atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e que beneficia o ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL).
O placar foi de 318 a 144, com 5 abstenções. O Senado ainda
precisa votar. Para o veto ser rejeitado, precisa do voto da maioria absoluta
dos parlamentares - ao menos 257 deputados e 41 senadores.
O projeto foi vetado totalmente por Lula em 8 de janeiro
deste ano, durante solenidade no Palácio do Planalto em memória dos três anos
dos atos antidemocráticos. Se aprovado nas duas Casas, o texto pode encurtar o
tempo de Bolsonaro na prisão em regime fechado.
A derrubada do veto poderia revogar dispositivos mais rígidos
da Lei Antifacção, aprovada em fevereiro, sobre progressão de regime para todos
os crimes, inclusive os hediondos, beneficiando condenados por esses atos.
Para impedir que isso ocorresse, o presidente do Congresso,
Davi Alcolumbre (União-AP), declarou prejudicados incisos do artigo 112 da Lei
de Execuções Penais (LEP), conforme antecipado pelo Estadão.
"A fim de não frustrar a deliberação do Congresso
Nacional no PL Antifacção e, ao mesmo tempo, não prejudicar os propósitos do PL
da Dosimetria, analisamos ponto a ponto as alterações propostas por essa
matéria, para verificar eventual conflito com as normas vigentes", indicou
o senador.
"Essas normas, caso tivessem o seu veto derrubado,
revogariam as novas regras de progressão de regime trazidas pela Lei
Antifacção, inclusive a que trata da progressão de condenados que exercem o
comando de facções criminosas", acrescentou.
"Dessa forma, cabe a esta Presidência compatibilizar a
intenção do legislador em ambas as matérias, reconhecendo a prejudicialidade da
parte do veto que foi objeto da Lei Antifacção."
A base de Lula criticou o que chamou de inovação de Alcolumbre
e tentou impedir a manobra, sem sucesso. A decisão do presidente do Congresso
esvaziou argumento de governistas de que a revogação teria como efeito
colateral redução de pena de condenados por crimes hediondos.
A oposição também aproveitou a sessão para comemorar a
rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de Luís
Roberto Barroso no STF.
"Mais do que uma derrota do governo Lula, foi uma
vitória da sociedade, porque nós ouvimos sempre que o Senado não exercia adequadamente
a sua prerrogativa de realizar um controle sobre as indicações feitas pelo
Presidente da República", afirmou o senador Sergio Moro (PL-PR),
ex-ministro de Jair Bolsonaro e pré-candidato ao governo do Paraná.
"E a indicação que foi feita nessa oportunidade, embora
até o Ministro Jorge Messias tivesse os seus predicados pessoais, repetia um
padrão que a sociedade não quer mais."
O PL da Dosimetria foi uma alternativa à anistia ampla que os
bolsonaristas defendiam para os condenados pelo 8 de Janeiro, mas que não tinha
apoio do centrão.
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